domingo, 25 de dezembro de 2011

SENTIDOS

Qual o sentido das palavras que abrigamos na memória?
Qual o sentido das palavras que se apoderam do tempo?
Qual o sentido das palavras quando verdadeiramente escutadas?
Caminhei por várias palavras, histórias, sentimentos de uma vida que fazem parte de mim. Me alimentei de uma juventude que nunca será minha. Escutei a voz que rege minhas lembranças mais profundas. No dia de Natal sempre haverá coisas para lembrar, sempre haverá coisas para jamais se esquecer. Sou várias pessoas que me definem, pessoas que nem conheci e que não pude sequer esquecer. Tenho sensações de lembrança e levanto meus olhos: sou quem sou, parte de vários, quase todo.
Hoje me lembrei que a coisa mais importante para não esquecer é escutar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

... DO COMEÇO AO FIM...

Do começo ao fim as lembranças perpetuam dentro e fora de mim. Por pouco tempo, sempre vou lembrar. Um sapatinho vermelho e lençol branco. Esquecer é a tarefa mais complexa no ato criativo. Espero, tempo, tempo, tempo, o caminho é lento e continuo. O espaço é pobre e pouco definido. Aplico metaforas. Acordo em plena luz do dia. Versos, silêncio, lagrimas. Cansei de rimar, joguei as fichas no mar... De volta aqui. Só escrevo para lembrar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PARA ESQUECER E LEMBRAR

São coisas que vem e vão. Sozinha percebo o tamanho da febre que opera meus atos no momento criativo de cada instante do trabalho. Existe uma angustia que ainda não sei de onde parte. Meus medos podem ser enumerados em uma única mão vazia. A sutileza apavora. Vazio intenso. As sensações consomem. Tenho medo. Tenho medo porque o medo sugere cautela. Em frente: infinito. Avisos pelo caminho. O tempo se perde. Preciso de coisas para lembrar. Preciso esquecer. Parece pouco, o tempo. Fico por aqui porque as coisas começam a perder o nexo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

SOMBRA E LUZ

Em processo. É um work in progress. Contínuo movimento incessante. Onde formas ditam luz e sombra. Uma perspectiva decifrada pelo olho e baseada no cérebro. Suspiros, lágrimas, lembranças de algo que não consigo lembrar. Incompetência velada. Subjetivo olhar oblíquo mas, perco palavras. Perdi condicionantes, alimento segredos. Desafio a mim porque assim não se perde a graça, qual será a minha graça? No momento hiato da criação. Reverbera no tempo, congela no espaço, altera fatos. Numa mão uma taça, na outra nada, cai vertiginosamente em mim. Novamente. Escolha. Não existe isso ou aquilo. Existe isso e aquilo. Caminho devagar. Olhei, enxerguei e vi: A sombra dá a profundidade da luz.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

VER + DADE = VERDADE

Por aqui os dias passam em chuvas artificiais que caem na grama que precisa sobreviver. Minhas ideias voam em direções distintas. Existe um cheiro ao redor. Espero, espero, espero... Os dias quase terminam mas tudo recomeça. Lembro, esqueço e me perco. Distrai o tempo que passa lento. Mantenho a capacidade de flanar em qualquer lugar. O cair da noite rapidamente. Existir possibilita diversos fins. Saltei de dentro de mim. Atualizações concluídas. O tempo virou. Entra pelo umbigo e escorre dentro de mim. Aprendi movimento. Mais uma vez passou o tempo. É verdade. Verdade. O sono chega lentamente. A realidade não é nada sutil. O desenho esta incompleto. Esperar alivia. Ver é uma verdade. Ver.

Fragmentos do corpo, 2010 (Patrícia Viso)



segunda-feira, 31 de maio de 2010

A ALGUNS PASSOS DO ÚLTIMO PASSO

Caixa Fechada, 2010 (Patrícia Viso).


Hoje começa e termina uma etapa. Sinto uma certa angustia que não identifico de onde vem ou que sentimentos esconde. Corri desesperadamente até um ponto. Momentos, instantes, quase já. Desconfio que irei em alguns minutos chorar. Chorar até o fim. Genial preposição física que carrego em mim. Quase tudo que vejo é um completo absurdo. O vento desliza sobre meu rosto. A cura necessita de remédio. Profilaxia instantânea. Cores intensas em um cinza ofuscante. Tenho inúmeros medos. Minhas heranças circundam o globo. Nauseante. Minhas intenções são conflitantes. Existem diversas coisas que ainda não sei. Esquadros e tintas. Quem eu sou me consome. Ilusão contamina realidades. Parece uma explosão. Lembro de corridas incessantes em volta da mesa de jantar. Lembro de sorrisos espontâneos vagando no ar. Me transformei no que sou. Convergência de tudo, divergência de nada. Singular espaço vazio onde se cria. Vejo folhas verdes no chão. Lembro das manhãs de inverno aconchegantes. Lembro de um carinho que não me lembro mais. A vida me comove. Passei por este mesmo local ontem. Hoje já esta tudo diferente. Passou o tempo. Time goes by. Espaços. Tenho um medo, mas, não me lembro. O fluxo é intenso. Parei a alguns passos do último passo. Daqui a algum tempo as palavras se perderão no tempo em algum espaço. Viver é raro. Não gosto de colocar as coisas no mesmo nível. O controle é total. O desconcertante é um fragmento. Paro. Esquecer tem seu preço. Melhor reverter tudo em um traço do desenho. Intensos esquemas. Soluciono apenas problemas. Aqui se finaliza mais uma coisa para lembrar depois que eu esquecer.

Caixa Aberta, 2010, (Patrícia Viso).